
Hoje vou tecer, bem atrasado diga-se de passagem, uma vulgar avaliação do albúm solo de Marcelo Camelo, intitulado "Sou".
Não queria mas vou ser bem direto, gostei de menos de 30% do albúm, ou seja, 4 canções. E nem gostei tanto assim, infelizmente.
Como diria um vendedor das Casas Bahia: "Vamos parcelar isso!".
Mais tarde - A sexta faixa do albúm traz algo que lembra os albúns
4 e
Ventura. Tem um sabor de capricho destes albúns nas guitarras, tanto a guitarra base quanto a arranjo. Tem uma levada que não acrescenta mas que ao vivo deve trazer à tona um balançar de cabeças interessante.
Menina bordada - Esta aqui é quase uma apresentação de arranjos e harmonia/melodia bem-intencionadas. Letra bem curtinha porém honesta. Diferentemente da anterior, nesta canção a levada marca forte e definida.
Santa Chuva - A décima faixa de "Sou" já é uma aclamadíssima canção. Muito conhecida na voz de
Maria Rita esta canção tem um apelo muito bom, conta uma história tipicamente brasileira e atemporal, apresentando letra, harmonia e melodia de parto único. Está nesse albúm apenas para não assustar (completamente) antigos fãs.
Vida doce - Essa canção só veio parar aqui porque me lembra (vagamente)canções interpretadas pela maravilhosa e inesquecível Clara Nunes.
As outras 10 músicas não me deram motivos nenhum para estarem aqui comentadas. Principalmente as "oportunistas" cantadas com Mallu Magalhães, a pseudo-autista.
Sinto que Marcelo quer andar ao lado de um nova nova bossa nova mas se perde. Quando envereda para este lado peca pelo excesso. Ou melhor a falta. Falta de objetividade. E não estou dizendo em questão de prolixidade, digo de canção sem desejar sem entendida ou finita. Há simplicidade na intenção e não há simplicidade no caminho.
Simplicidade é isso.
"Mas se ela voltar, se ela voltar/
Que coisa linda, que coisa louca/
Pois há menos peixinhos a nadar no mar/
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca/"
Quer coisa mais simples e objetiva? Até uma criança de 5 anos entende e sabe que o "moço" vai mandar ver no beijos!
Na verdade, é triste dizer isso, o que mais gostei foi a capa e a jogada de "sou" e "nós".
No mais, nada de excepcional.
Por hoje é
nós sou só.
p.s.: Os discos Bloco do eu sozinho, Ventura e 4 fazem parte da minha lista de 20 melhores albúns nacionais de todos os tempos. Qualquer dia posto esta lista aqui.